domingo, 27 de janeiro de 2008
Em relação ao mérito
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Sexta-feira
Aí vai o texto produzido em LPI, Como pedido:
Sexta-feira
Sexta-feira, o tradicional “happy-hour”entre amigas com aquele chopp bem gelado, falando muitas besteiras, geralmente mal do trabalho, os melhores cabeleireiros, restaurantes, dietas, academias, plásticas. Quem seria o bonitão que apareceu no escritório da Jujuba era a pergunta que não queria calar. Risos, gargalhadas, uma mulherada efusiva demais para meu gosto. Eu, em meu canto, estava mais interessada em ver o fundo do meu caneco. O garçom desceu um, dois, três chopps, prometi a mim que pararia no próximo número primo.
Talvez a freqüência dos encontros tornaram-nos chatos, ou talvez tenha sido eu que tenha me tornada chata. Parece que o fenômeno da eterna juventude atingiu minhas amigas após suas separações. Todas querem aparentar serem adolescentes, com seus namorados da idade de seus filhos, usando as mesmas roupas que meninas de quinze anos usam, discutindo as Raves do momento, um “blablabla” horroroso, diarréia verbal. Nunca fui um poço de sabedoria, contudo nada de abusar. O mínimo de cultura e conhecimento prezara. Havia imaginado que ao chegar aos 40 anos não me sentiria assim tão deslocada, seria, sim, muito segura de mim, solteira convicta. Sempre. Chamar o garçom, jantar, e partir sozinha têm sido cada vez mais difícil. Começo me sentir sozinha ao lembrar que vou encontrar apenas meus scarpins em meu apartamento.
Sinto o álcool penetrando em cada célula do meu corpo, fazendo-me perder o controle de minhas ações – mais especificadamente dos meus olhares. Sem dar-me conta, “seco” o moreno de olhos verdes, ombros largos a duas mesas da minha. Sua eloqüência chamou-me muito a atenção, estava fascinada. O álcool e a falta de sexo há 43 dias me fizeram tomar uma decisão que sem esses agravantes nunca teria coragem: enviei um torpedo escrito em um guardanapo de seda através do garçom para o tal deus grego. Na hora, minhas amigas me olharam chocadas pela minha cara-de-pau. Segundo elas, o homem que tem que tomar a iniciativa, que eu havia manter a compostura – mas que compostura têm elas enfiadas em calças jeans dois números menores que o ideal? Apenas respondi “deu vontade, pronto”! O pior que poderia acontecer seria ser ignorada e voltar para casa descalça, pois não conseguia mais me equilibrar em meu salto agulha.
De súbito, o garçom se aproxima:
– Este é cortesia do rapaz da mesa ao lado – e serviu mais um chopp. O rapaz da mesa ao lado era o mesmo do torpedo. Olhei-o e ele respondeu com uma piscada. Corei na hora! Há tempos não flertara ninguém.
Senti-me o “gás da coca-cola”, todas aquelas “queridas” amigas babaram de inveja. No auge da bebedeira, percebi as meninas juntando suas bolsas e me abandonando ali, como se estivesse pegando fogo no bar. Até olho, na realidade tento olhar para os lados para ver o porquê da demanda, e o que vejo é o deus grego vindo rente a mim.
– Posso sentar-me aqui?
– Claro... (derretendo-me como uma manteiga).
Ao cumprimentá-lo com os tradicionais três beijinhos no rosto, percebo que ele também é incrivelmente cheiroso e transpassava uma segurança de quem sabe o que quer, e, naquele momento, era a mim que ele queria. Conseguia ler em seus olhos seus pensamentos mais pecaminosos – ou talvez seriam os meus pensamentos refletidos. Com aquele homem ao meu lado, senti-me a mulher mais poderosa do bar, da cidade, do universo! Estava podendo, fisguei o peixão da noite com um flerte pra lá de tosco.
A conversa fluía maravilhosamente bem, assim como as cervejas. Cada vez nossos corpos se aproximam mais, até que, ao pé do meu ouvido, acariciando meu pescoço, sugere:
– O que tu achas de conversarmos num lugar mais calmo, tenho ótimos vinhos e dvds em casa. O que mais lhe agrada?
– Merlot seco e Janis Joplin.
A resposta saiu sem pensar, puro impulso.
Juntei meus cacos não embriagados da cadeira e tentei acompanhá-lo com elegância. Sentindo minha dificuldade, ofereceu-me o braço. Meu Superego tentou pronunciar-se dizendo para não ir para a casa dele, entretanto o meu Ide berrava para que o acompanhasse. Não poderia ter outra atitude, talvez nunca mais o visse na vida, em outro momento nem percebesse minha existência. Aquela era a hora, o momento. Por conveniência, adotei o lema “Carpe Diem”. Só hoje não tem problema.
Ele abriu a porta do carro – o carro do bofe era de arrasar, como nunca entendi porcaria nenhuma de carros, o que posso dizer é que é daqueles importados que todos babam... sinceramente, eu moraria dentro dele.
Continuamos conversando durante o caminho, mas não conseguia abstrair mais nada da conversa, apenas imaginava aquele homem maravilhoso nu! E só pra mim! Mentalmente faço um check-up: depilação em dia, calcinha e sutiã combinando... é... tudo em ordem!
Chegamos ao apartamento: tudo muito lindo, muito bem decorado, impecável, um apartamento dos sonhos – não fazia idéia em que parte da cidade estava, mas nem fazia diferença mesmo! Enquanto ele escolhia o vinho, olhava os porta-retratos na tentativa de conhecer melhor o futuro pai dos meus filhos – sim, a essas alturas, um homem lindo, educado, com bom gosto e com uma vida feita é para casar! Começo a rir de mim mesma por pensar tal bobagem! Cueca na gaveta nunca, no máximo atirada no sofá!
Ele se aproxima com as taças de vinho. Serve a ambos e a tensão sexual tornou-se tanta, que não demorou muito para que nos beijássemos e os corpos tomassem o rumo do quarto. Apenas à luz de várias velas, fomos arrancando a roupa um do outro enlouquecidamente. As mãos não possuíam pudor algum, explorando cada centímetro de pele, sabor salgado na língua do suor do corpo. Várias vezes nossos olhos se encontravam e engoliam-se. Respirações cada vez mais ofegantes, palavras picantes sussurradas entre beijos. Era algo tão espontâneo que parecíamos amantes de longa data, e, no auge da excitação, falei:
– Vai, me agride!
Os olhos dele vibraram. Logo após ele ficou sério, até demais. Levanta-se da cama e busca tiras de cetim que estavam no criado mudo. Junta meus punhos, amarra-os e prende à parede que possuía uma argola de aço (dessas de pendurar redes) fixa.
Estava lá eu, nua e amarrada a parede. Forcei o nó – realmente estava presa.
– Esta noite serás minha. Minha propriedade, mas serás até quando tiveres vontade. Caso queira ser sua novamente, apenas diga “vermelho” ou faça um sinal “V” com os dedos.
Após isso se calou novamente. Essa coisa de sadismo apenas havia lido em Anais Nin e nos contos do Marquês de Sade! Na curiosidade, resolvi aceitar para conferir qual era o “barato”.
Retira do seu criado mudo também, na segunda gaveta, duas algemas que prendem meus tornozelos às pernas da cama. Gelo no estômago. Estava inerte aos caprichos dele, mas empolgada, e muito curiosa.
Em minha boca põe uma fita tape, nem que me esgoelasse não conseguiria gritar. Começa a dar tapas cada vez mais fortes em minhas nádegas. As mãos tornaram-se garras. Ao invés de beijar meus mamilos, mordidas fortes. Mais tapas pelo corpo. Parei e olhei para situação em que me encontrava. Estava na casa em que mais parecia uma masmorra e me submetendo a boneca inflável.
Ficou ali observando-me, como se agora eu fosse o troféu da noite. Não pronuncia uma palavra, quando me toca, não é carícia como antes, sim agressão.
Quando ele puxa um chicote de três tiras, tento gritar desesperadamente a merda da palavra “vermelho”, mas a fita não permite! Ele chicoteia a cama, pega de raspão no meu tornozelo – vejo que corta minha pele branca. Desesperadamente faço a porra do sinal “V” com os dedos e a chorar enlouquecidamente. Ele dá um pulo da cama e pergunta se quero parar. Confirmo que sim com a cabeça.
– Ok, vou lhe soltar, mas me promete uma coisa?
Respondo que sim com a cabeça.
– Promete que não vais sair correndo quando te soltar?
Novamente respondo que sim.
Tira-se a fita de minha boca, assim mostrando que já estava soluçando como uma criança quando está chorando de medo. Abre-se as algemas dos tornozelos e, com muita calma, ele desamarra meus punhos. Dou um pulo para o canto da cama. Com o susto, todo álcool se fora embora do meu organismo. Enrolo-me no lençol e me afasto para o outro canto do quarto. Ele se aproxima e começo a gritar, chorar. Chamo-o de louco, pervertido. Não dou nenhuma chance para o doido se explicar ou ao menos dar desculpas. Corro para o banheiro com minhas roupas. Me vesti tão rápido que coloquei o vestido do avesso. Saio com uma cara de super desconfiada e peço para que me deixe num ponto de táxi. Ele insiste para que me leve até em casa, como um pedido de desculpas.
Aceitei a carona para casa, não fora citada uma palavra sequer o caminho inteiro. Ao descer do caro, ele solta um “desculpe qualquer coisa”.
Deu vontade de mandar a merda um otário desses. Ninguém o avisou que não se sai chicoteando as pessoas por aí? Fico quieta e dou as costas.
Entro em casa, tomo um bom banho para relaxar. Deito-me. Minha adrenalina ainda estava alta, não conseguia dormir.Tomei três lexotans e uma séria decisão: Amanhã compro um vibrador. Dá menos dor de cabeça e quem manda nessa relação de posse sou eu!
sábado, 29 de dezembro de 2007
O Grande Ditador
Esse vídeo uma colega (Juliana, nossa veterana na FABICO) deixou como recado em seu Orkut. São as cenas finais de "O Grande Ditador", filme falado de 1940.
Achei interessante - não lembrava dessa passagem do filme, afinal eu o vi quando ainda criança, talvez há um quarto de século atrás... Por essa e outras Hollywood começou a acumular mágoas com Chaplin. Assista, e tire suas próprias conclusões...
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Oblíquos e Dissimulados
Oblíquos e Dissimulados
Se Machado de Assis a tivesse conhecido, com certeza poderia dizer que fora sua inspiração para Capitu. Olhar de cigana oblíqua e dissimulada parece ter sido escrito especialmente para ela. Seu olhar esconde suas verdadeiras intenções, não há como saber o que ela pensa ou como irá agir. Ao mesmo tempo em que esconde, seu olhar também diz tudo. Perder-se no meio daquela cor azul como o céu não é difícil, e corre-se o risco de não conseguir retornar ao mundo real. Enigmático, profundo, sedutor. Foi assim que ela me conquistou, com uma olhada de canto, sugerindo malícia. Não precisei mais do que esse olhar para cair aos seus pés. Hipnotizou-me.
Foi entrando no bar que a vi. Lá estava ela, sentada no balcão, bebendo uma taça de vinho e proferindo a todos aquele olhar, como se soubesse todo o poder que ele contém. Na verdade, ela sabia. Sempre soube. Por isso o utilizava com tanta segurança, com tanto vigor, ciente de que arrebataria qualquer homem são inserido naquele ambiente social. E comigo não foi diferente. Ao parar frente à porta, escolhendo um lugar para me sentar, ela cruza seu olhar rapidamente com o meu, que estava desatento e disperso. Instantaneamente, ele parou e fixou-se onde ela estava. Percebendo que me conquistara, virou o rosto e apenas olhou-me mais uma vez, agora de canto, esboçando um sorriso em seus lábios, como se satisfeita com o que acabara de provocar. Não resisti e fui conversar com ela. Sentei-me ao seu lado e disparei, um tanto quanto atordoado, um “oi”, confuso e engasgado. Ela nada disse, apenas me olhou – o que bastou para que meu encanto por ela crescesse ainda mais. Dessa vez seu olhar esboçava dissimulação, fingia com astúcia que era indiferente a minha presença e isso me instigou ainda mais. Fiquei a admirá-la, enquanto ela se ocultava. Eu sabia que ela gostava de me ver assim, irresistivelmente atraído, e ela sabia que eu sabia.
Deu um último gole no vinho, largou a taça sobre o balcão e levantou-se. Seguiu reto até a porta, ignorando a minha existência completamente. Senti-me perdido; será assim? Nunca mais verei aquelas personificações de cachoeiras de águas azuis cristalinas, nos quais me afoguei ao longo desse encontro? Antes de cruzar a saída, ela lança um último e fatídico olhar. Um olhar malicioso, pedante, certeiro. Seus olhos enigmáticos ficam a me olhar por alguns segundos, até que ela se vira e vai embora. Através do vidro, consigo ainda ver seu esboço e imaginar aquele mesmo sorriso com que me olhou a primeira vez.
Nunca mais a vi, mas aquele olhar permanece na minha mente, instigando-me, atordoando-me. Releio Dom Casmurro a fim de imaginá-la em Capitu e busco, assim, um refúgio nos meus devaneios a respeito daqueles dois olhos que pareciam refletir o céu sem sol, sem nada, só o mais lírico e transbordado mar límpido de sensações que eu já havia navegado.
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
A Primeira Turma
A primeira turma
Segundo dia de aula do Juliano, e estamos, eu e ele, um tanto apreensivos. Até então o mundo social pra ele eram apenas nosso lar, a casa da babá e os passeios à praça próxima ao nosso apartamento. Na escolinha as coisas são diferentes, explico-lhe; temos que respeitar os colegas e a professora, e algumas regras criadas para facilitar o convívio dessas diferentes realidades. Como de costume no período de adaptação, tenho que esperar por perto até que tenhamos certeza de que ele se incorporará àquele ambiente diferente. Mas crianças são seres realmente fascinantes.
Enquanto aguardo em algum lugar onde Juliano não perceba minha presença, observo o comportamento de alguns dos colegas da escolinha. Apesar de diferentes, há algumas características comuns a esses pequenos. A curiosidade é evidente em cada gesto, em cada olhar, em todos. Deparar-se com um objeto novo é motivo suficiente para esquecer a tarefa que desempenhava, a fim de dedicarem-se à exploração dessa nova possibilidade, afinal de contas há muitas novidades sempre. Quando percebo, sinto alguém me cutucar as pernas. Um pequenino, de uns quatro anos, pergunta meu nome; pele negra, cabelos encaracolados, olhar vivaz e atento, encanto-me com aquele menino curioso e observador. Respondi à sua questão, ao que ele saiu rindo-se de orgulho, correndo para comentar com os demais colegas. Aquela inquisição parecia uma espécie de passaporte para o grupo, pois logo convidaram meu filho para participar da reunião informal que ocorria na “mesa I, de inteligente” (me relatou depois um dos novos colegas). Impossível conter minha fascinação ao observar o comportamento daquelas crianças, que àquele ponto já apresentavam a sala a meu filho. Enquanto aguardava, percebi a mudança de comportamento de Juliano que, apesar de pouco acostumado com outras crianças, apresentava uma desenvoltura então desconhecida por mim. Era notável a segurança que demonstrava, a forma como impunha respeito a si, sem ser rude com os outros. Aquele comportamento me surpreendeu de tal forma que nem percebi o cenário que simultaneamente se desenhava.
Expressão aborrecida, braços cruzados, olhar “enviesado” denotava alguma inconformidade daquela menina, cuja beleza física não combinava com sua conduta anti-social; não tardou e, conversando com a orientadora da turminha, descobri a fonte do desagrado daquele anjinho de carne e osso: ela também estava em fase de adaptação, e agora as atenções não se voltavam exclusivamente para ela, dividindo-se os colegas em agradar a ambos, ao Juliano e à menininha. Chamava-se Mariana, e já freqüentava a escolinha há cerca de uma semana, motivo pelo qual seus pais não estavam observando-a. Pois o que vi me surpreendeu ainda mais: Juliano, apesar de toda a novidade que representava aquele dia, percebeu a inconformidade da menina, e perguntou aos novos colegas quem era, e porque estava triste. Aquelas perguntas desencadearam na turma uma preocupação que não estava mais presente entre eles, de agradar a já não mais nova coleguinha. De repente as atenções voltaram-se novamente para aquela menininha. Meu amiguinho negro começou a fazer peraltices, como caretas; outra garotinha, de olhar doce como uma amêndoa e tão negro como seus longos cabelos, veio oferecer sua bonequinha, e Mariana se refez. Seguiu-se uma sucessão de palhaçadas de Juliano, objetivando desentristecer aquela que mais tarde tornaria-se sua inseparável amiga. Trabalharam todos juntos, em uma demonstração de altruísmo, solidariedade e cooperação.
Lembrei-me de minha infância, da candura de comer uma maria-mole, da doçura de uma afago da “tia”, do convívio enriquecedor com os colegas, de meu “melhor amigo” ou da minha primeira paixão que não pelos chocolates de páscoa. Lembrei disso, e pensei que não seria muito diferente com meu filho. Percebi que, naquele dia, eu estava ainda mais ansioso que ele, e minha ansiedade estava evitando as novas experiências de meu pimpolho, além de bloquear boa parte de minhas lembranças. Eles não sabiam, mas não desentristeceram somente a nova e emburrada coleguinha. Desentristeceram também um velho pai, que na correria e no stress das obrigações diárias esqueceu-se da alegria de ser puro e cristalino como a água que brota da nascente, que ainda não carrega as agruras de serpentear pelas encostas, lavando seu leito e levando consigo a vida, mas também muitas impurezas que turvam sua aparência. Lembrei-me, e assim revivi a alegria de ser, simplesmente, criança.
* atualizado em 15/12/2007, 2:31. LSR
sábado, 10 de novembro de 2007
Parabéns, bixarada 2007/2
É isso aí, pessoal! Tá criado o blog da turma 2007/2 da FABICO! Dia 23 vamos bebemorar (em alto estilo) este lançamento, na Festa de Recepção dos Veteranos a nós, calouros! E viva a FABICO, grande comunidade de pensadores e... jogadores de sinuca, futebol e... truco, é claro!
São todos benvindos, esperamos pela participação da comunidade fabicana, e tão logo estejamos cadastrados, estaremos divulgando nossas idéias por este canal.